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Notícias - Saúde

12 de Outubro de 2017 ás 11:13:46

A reinvenção da maturidade e decidir sobre a própria vida em dois filmes

Há uma saída para Armand, Joseph e Angèle: acolhendo as crianças e refazendo as próprias vidas, eles alimentam a chama de valores como fraternidade, igualdade e liberdade.

Foto por: Divulgação

No Festival do Rio, mostra que fica em cartaz até o dia 15, conferi dois filmes que tratam da maturidade como um período onde ainda é possível a reinvenção e o renascimento, e também o exercício da própria vontade no fim da vida. Ambos foram selecionados para o Festival de Veneza e deverão entrar em breve no circuito comercial. No emocionante “Uma casa à beira-mar” ("La villa”), três irmãos se reencontram depois que o pai teve um derrame.

Armand (Gérard Meylan), Joseph (Jean-Pierre Darroussin) e Angèle (Ariane Ascaride) têm entre 50 e muitos e 60 e poucos anos. Eles se enfrentam e falam de perdas dramáticas – como Angèle, cuja filha morreu afogada quando era criança. No entanto, essas trajetórias carregadas de desilusão terão uma nova chance ao acolher três crianças, refugiadas que sobreviveram depois do naufrágio do barco no qual viajavam. Coincidentemente, a menina e os dois meninos são irmãos que ganham a proteção dos três adultos enquanto a polícia caça os sobreviventes.

O público vai se encantar com uma sequência na qual os atores aparecem 30 anos mais jovens, divertindo-se num dia ensolarado ao som de Bob Dylan. Trata-se de um trecho de “Ki Lo Sa?”, obra de 1985 do mesmo diretor: Robert Guédiguian. “Uma casa à beira-mar” é também uma alegoria da França atual. No filme, os personagens mais jovens representam o pragmatismo e a globalização, enquanto os mais idosos estão certos de que o paraíso que conheceram deixou de existir e que dificilmente haverá lugar para eles nessa nova sociedade. No entanto, há uma saída para Armand, Joseph e Angèle: acolhendo as crianças e refazendo as próprias vidas, eles alimentam a chama de valores como fraternidade, igualdade e liberdade.

Já em “O caçador de lazer” (“The leisure seeker”), dirigido por Paolo Virzi, Donald Sutherland e Helen Mirren reinam absolutos na interpretação de John e Ella Spencer. Com Alzheimer, ele tem um comportamento errático, enquanto ela enfrenta um câncer. Entretanto, tiram da garagem o trailer – cujo apelido dá nome ao filme – que usavam na década de 1970 para viajar com as crianças e embarcam para uma derradeira aventura.

O casal não quer se submeter à tutela dos filhos, nem às restrições dos cuidados médicos, e parte de Massachusetts em direção à Flórida, para visitar a casa onde morou o escritor Ernest Hemingway. Há cenas divertidíssimas, como quando John esquece Ella num restaurante na beira da estrada e ela sobe na garupa de uma moto para alcançá-lo. E outras de tensão, como quando são ameaçados por marginais. Mas, principalmente, há uma tocante história de amor e companheirismo que enfrenta todo tipo de adversidade. Impossível não se emocionar quando Ella aproveita as noites para projeções de slides com fotos de família, tentando fazer John se lembrar de tudo que viveram.

Fonte: Mariza Tavares - Bem Estar

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