Últimas notícias
Gestores de Canarana participam de Congresso Internacional de Sustentabilidade| Indígenas e prefeito de Canarana defendem maior discussão sobre o traçado da BR-242| Iluminação da travessia urbana BR 158 em Água Boa é oficialmente inaugurada| Boxeador Popó é confirmado na temporada de Praia de Nova Xavantina, cidade irá receber lutas de UFC| Xinguanos entregam ao governo plano de consulta inédito|
Notícias - Brasil

19 de Dezembro de 2018 ás 10:20:50

Após suspensão da FAB, quatro etnias indígenas buscam por avião desaparecido na Amazônia

‘Só iremos paralisar quando encontrarmos nossos parentes indígenas e o piloto’, diz nota de associação. Procura acontece por dentro da mata densa, entre Amapá e Pará.

Foto por: Flávia Moura/Arquivo Pessoal/Grayton Toledo/Governo do Amapá

Povos indígenas de quatro etnias estão realizando buscas por terra na tentativa de encontrar o avião monomotor que desapareceu com indígenas na Floresta Amazônica no dia 2 de dezembro. Após 14 dias de sobrevoo, a Força Aérea Brasileira (FAB) suspendeu as buscas pela aeronave e por vítimas.

A informação de que indígenas estão mobilizados na mata foi divulgada através de uma carta da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp), assinada por líderes de regiões do Rio Parú D’Este, Tumucumaque, Oiapoque e Wajãpi.

“Os povos indígenas, principalmente Apalai, Akuriyó, Tiriyó e Waiana, já estão mobilizados e realizando buscas por via terrestre, mesmo sem apoio direto dos órgãos de governo, e informamos que só iremos paralisar a mesma quando tivermos a certeza de encontrarmos nossos parentes indígenas e o piloto com vida ou mesmo mortos, mas que possibilite aos seus familiares esse mínimo conforto”, descreve o documento.

A aeronave desapareceu entre a aldeia Mataware, no Parque do Tumucumaque, no Pará, e Laranjal do Jari, no Sul do Amapá, com oito pessoas a bordo, sendo sete indígenas e o piloto, que tem mais de 40 anos de experiência em voos na região. É nessa área que os indígenas concentram as buscas.

Na segunda-feira (17), quando foi anunciada a suspensão das buscas pela FAB, a família do piloto informou que um grupo voluntário de garimpeiros também está na mata fechada para tentar encontrar a aeronave ou vítimas.

A Apoianp e familiares das vítimas querem que a FAB e o Exército retomem as buscas. Na terça-feira (18), o Distrito Sanitário Indígena Especial (Dsei) do Amapá também se posicionou sobre o caso.

“Como tratam-se de usuários da saúde básica dos indígenas, o Dsei está ajudando com transporte necessário no deslocamento da equipe de busca indígena e de parceiros. A gente tem feito essa parceria para tirar toda essa angústia. A Dsei vai oficializar um pedido a FAB para que as buscas sejam retomadas”, disse o coordenador do Dsei Amapá, Silney Aniká.

À Rede Amazônica, o Exército informou inicialmente que também cancelou as buscas, devido a falta de suporte de aeronaves para cobrir a área. Mas, em nota, a instituição detalhou que o Pelotão Especial de Fronteira de Tiriós “é empregado, numa segunda etapa, para apoiar no resgate em solo ou realizar a segurança do local”, e adiantou que, sem “indícios fidedignos da localização da aeronave desaparecida, a busca por terra torna-se ineficiente”. O Exército concluiu informando que “mantém uma equipe pronta para ser empregada quando os vestígios da aeronave desaparecida forem localizados”.

Desaparecimento

O avião monomotor, de prefixo PT-RDZ, transportava sete pessoas de uma família de índios, além do piloto. A viagem, que partiu no domingo (2 de dezembro) e fez a última comunicação às 12h06, foi contratada pelos indígenas para fazer o trajeto entre a aldeia Matawaré e Laranjal do Jari.

A região é de difícil acesso e o transporte aéreo é a única forma de se chegar às aldeias. Em função da geografia da região, a maior parte do trajeto é feito em território paraense, pela cidade de Almeirim.

A bordo estava uma família de índios Tiriyó: professor, esposa e três filhos, uma aposentada e o seu genro; além do piloto, Jeziel Barbosa de Moura.

De acordo com Kutanan Waiana, da coordenação executiva da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará, a contratação de pequenos aviões para transporte entre aldeias é comum na região, com viagens que custam entre R$ 3 mil e R$ 10 mil.

No dia 4 de dezembro, a Fundação Nacional do Índio (Funai) caracterizou como “clandestino” o voo e informou que a aeronave transportava pelo menos sete indígenas. A falta de pistas autorizadas na região e a não comunicação da viagem, segundo a Funai, apontam a irregularidade. A família do piloto assegura que ele está com as documentações regulares para pilotar.

Encerra buscas

Em nota, a FAB informou na tarde de segunda-feira que suspendeu as buscas pelo avião. Foram realizadas 128 horas de voo com as aeronaves SC-105 Amazonas SAR, C-130 Hércules e o helicóptero H-60 Black Hawk. A busca agora está limitada a um grupo de índios e garimpeiros, por terra.

Ainda segundo a FAB, as equipes sobrevoaram uma área de 12.550 quilômetros quadrados, o equivalente a cerca de 12 mil campos de futebol. A instituição afirmou que as aeronaves cumpriram padrões internacionais de busca, mas a mata fechada e região montanhosa são fatores que dificultaram a observação pelas equipes.

Um total de 60 militares estiveram envolvidos nas buscas, que foi coordenada pelo Centro de Coordenação de Busca e Salvamento de Manaus (Salvaero). A unidade operacional do Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta IV) é responsável pela coordenação das missões de busca a aeronaves e embarcações na região Norte do país.

 

Fonte: Fabiana Figueiredo, G1 AP — Macapá

O Portal não se responsabiliza pelos comentários aqui postados!